» Dia da Independência do Brasil


BRASIL, UMA REPÚBLICA

    Em 15 de novembro o Brasil comemora a Proclamação da República, um dos fatos históricos mais importantes de nosso país. Ela aconteceu em 1889, quando o marechal Deodoro da Fonseca comandou o movimento que mudou a forma de governo e que permite até hoje a eleição para presidente.

Bem antes da República, o Brasil já havia conseguido sua independência de Portugal. Isso aconteceu em 1822 e, a partir daquele ano, nosso país não precisou mais obedecer aos governantes portugueses. Passou a ser chamado de Império do Brasil e era uma Monarquia, ou seja, não havia eleições para o chefe da nação. O poder passava de pai para filho e D. Pedro I foi nosso primeiro imperador. Depois dele, seu filho D. Pedro II assumiu o trono. Somente em 1889 o Brasil se transformou em uma República. Nesse sistema de governo, são realizadas eleições para escolher o comandante do país. No caso brasileiro e no de muitas outras nações, elege-se um presidente.

Iniciativa dos poderosos

O movimento que transformou o Brasil em República não partiu do povo, mas de alguns ricos e poderosos fazendeiros de café. Além deles, os militares também tiveram importante papel, pois queriam mais participação na vida política, o que era proibido até então.

A República, passo a passo

Pouco antes do final do século XIX, começou a crescer a insatisfação dos brasileiros com a Monarquia. Os fazendeiros de café de São Paulo e Minas Gerais, na época as pessoas mais ricas, e os militares lideravam o movimento republicano. Eles queriam aumentar a participação política e sua influência pelo país, tomando o poder.
Em 1873 foi criado o Partido Republicano Paulista (PRP), que queria o fim da Monarquia. Aos poucos, foram surgindo jornais em favor da República. Esse sentimento foi mobilizando médicos, jornalistas, advogados, intelectuais, comerciantes e funcionários públicos.
O movimento pela República fortaleceu-se e, em 1889, ficou impossível para os governantes manter a Monarquia. Acompanhe os passos decisivos do mês de novembro daquele ano, que instituíram finalmente a República em nosso país.

Reuniões decisivas

No dia 9 de novembro, um grupo de militares reuniu-se na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Dois dias depois, o marechal Deodoro da Fonseca, o major Benjamin Constant e o líder do PRP, Quintino Bocaiúva, encontraram-se para acertar os últimos detalhes do plano para tirar a Monarquia do poder.

Desfile militar?

Conforme o combinado, no dia 15 de novembro tropas militares saíram às ruas. A princípio, parecia apenas um desfile ou uma passeata militar, sem maiores conseqüências.

O líder

À frente das tropas militares estava o marechal Deodoro da Fonseca. Em vez de liderar apenas um desfile, ele dirigiu os soldados para o Palácio do Catete, onde se encontrava o imperador D. Pedro II.

Palácio do Catete

As tropas militares invadiram o Palácio do Catete, sede da Monarquia e uma das residências de D. Pedro II. Lá dentro, o marechal Deodoro proclamou a República, tornando-se em pouco tempo o primeiro presidente da história da República brasileira.

Adeus, D. Pedro II

Dois dias depois de proclamada a República, D. Pedro II foi expulso do país. Ele e sua família foram obrigados a ir para Paris, capital da França, onde o ex-imperador morreu em 1891.

Poucas melhorias para o povo

No primeiros anos a República não beneficiou a maior parte da população brasileira. Durante o período de 1889 a 1930, conhecido como República Velha, o poder ficou concentrado nas mãos dos fazendeiros paulistas e mineiros e dos coronéis dos Nordeste. Isso originou muitos conflitos, como a Revolta de Canudos. Ela ocorreu em 1896, no interior da Bahia: milhares de pessoas passaram a viver em uma vila sob o comando de um líder religioso e se recusaram a obedecer ao novo governo. A revolta foi contida com violência pelo Exército.

A carreira do marechal

Deodoro da Fonseca teve uma longa história dentro do Exército. Nascido em Alagoas, em 1827, ingressou na Escola Militar em 1843 e já no ano de 1865 era capitão. Cinco anos mais tarde, voltava da Guerra do Paraguai (1864-1870) como herói, no posto de coronel. Esse conflito foi o maior da história da América do Sul, disputando-se o controle do continente. Em 1888 foi enviado em missão a Mato Grosso. Voltou ao Rio de Janeiro em setembro de 1889, quando os preparativos para a derrubada da Monarquia já estavam bem avançados. Por ter muito prestígio junto às tropas do Exército, foi o escolhido para comandar as ações do dia 15 de novembro. Eleito presidente, renunciou em 1891 e morreu um ano depois.

Baile da Ilha Fiscal

Embora a insatisfação com seu governo fosse cada vez maior no Brasil, D. Pedro II parecia não percebeu o que acontecia. No dia 9 de novembro de 1889, ou seja, uma semana antes de perder o poder, ele promoveu uma festa que entrou para a história do país, chamada de Baile da Ilha Fiscal.
Ocorrida no palácio da Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, era oficialmente uma homenagem a oficiais chilenos em viagem pelo Brasil. Mas, na verdade, comemorou o aniversário de casamento da princesa Isabel, filha de D. Pedro II. O cardápio da festança incluiu, entre muitas outras delícias, lagosta, camarão, salmão defumado, saladas, 12 mil salgadinhos, 400 pratos de doces e 20 mil sanduíches.
Três mil pessoas, consideradas "o melhor da sociedade", receberam o convite, e muitas saíram de lá ao amanhecer.

Movimentos republicanos no Brasil

No século XVIII aconteceram movimentos regionais com o objetivo de tornar independentes e republicanas algumas províncias brasileiras, hoje chamadas de estados.
O mais conhecido foi a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, em Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto.
Nessa época, os portugueses cobravam pesados impostos sobre o ouro achado nas minas da região. Mas já não havia mais tanto ouro, o que fez os portugueses desconfiarem de roubo e anunciarem uma cobrança forçada de impostos. Um grupo de pessoas que queria a independência e a República planejou uma revolta para libertar Minas Gerais do domínio português. O movimento fracassou e seu líder, Tiradentes, foi morto.
Em Salvador, na Bahia, desde 1794, republicanos realizavam reuniões secretas. Até que, em 1798, folhetos anunciaram a República Baiense, incentivando o povo a defender o movimento de libertação da província em relação a Portugal. As autoridades portuguesas reagiram e prederam os líderes do movimento, que acabou conhecido como Conjuração Baiana.
Na década de 1810, Pernambuco passava por dificuldades financeiras. Em 1817, parte da população se revoltou e tomou o poder no Recife, anunciando um governo independente e proclamando a República. Sem o apoio de outras províncias do Nordeste, a Revolução Pernambucana foi rapidamente dominada pelos portugueses, que retomaram o poder.

Fonte:"http://recreionline.abril.com.br/pesquisa_escolar"

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